Iniciação às Observações Astronómicas

Um céu nocturno cheio de estrelas fascina muita gente. É bastante interessante observarmos as maravilhas que o céu nos apresenta, mas torna-se mais interessante ainda quando sabemos um pouco sobre aquilo que observamos. Isso não está reservado somente aos astrónomos profissionais, mas sim a todos os que se interessam por este assunto. Existem até muitos astrónomos amadores que contribuíram e continuam a contribuir para o avanço da astronomia.
Reconhecer as constelações, saber o nome e as características de determinadas estrelas, saber onde estão os planetas, são alguns exemplos daquilo que está ao nosso alcance. Para quem inicia pode parecer tarefa um tanto difícil, mas sem dúvida que com alguma dedicação tudo se torna mais fácil, até que em pouco tempo o céu nocturno passa a ser bastante familiar, compensando o nosso esforço.

Então, como começar a observar o céu?
Em primeiro lugar temos que ter em mente que já possuímos o principal instrumento de observação: os nossos olhos. Numa fase inicial não precisamos de nenhum outro instrumento de observação. Precisamos também de um mapa do céu para que a partir daí possamos começar a identificar as constelações e algumas estrelas. Esses mapas celestes vêm em livros, revistas de astronomia ou em programas de computador. Este mesmo site possui várias propostas de programas de astronomia que podem ser de grande ajuda e proveito nesse sentido. No menu deste site existe um item que dá acesso a esses softwares.
Munidos de um mapa, vamos tentar dar os primeiros passos na observação. Se sentirmos alguma dificuldade não vamos desanimar, com alguma persistência rapidamente conseguiremos localizar uma constelação sendo que a partir dessa nossa primeira descoberta tudo se torna mais fácil.
céu nocturnoUma constelação nada mais é que um conjunto de estrelas que no céu parecem estar próximas (ainda que na realidade possam estar muito longe umas das outras) e que formam figuras imaginárias.
Olhando atentamente para o mapa do céu, vamos procurar uma constelação que possua estrelas brilhantes, e assim tornar a sua localização mais fácil. Geralmente os mapas indicam a localização das constelações consoante o mês e a hora em que estamos a observar. Se optarmos por um software de astronomia, podemos saber exactamente a posição das constelações num determinado local à superfície da Terra, como a cidade onde estamos ou uma que esteja próxima de nós, em função do dia e hora na qual pretendemos fazer a observação.
Escolhida uma constelação, vamos procurá-la no céu. Vamos olhar para a direcção que o mapa nos indica e procurar. É claro que o ideal é observarmos o céu num local escuro, pois a luz artificial prejudica bastante impedido que estrelas de menor brilho sejam observadas. Mas mesmo num local com alguma luz, as estrelas mais brilhantes são visíveis.
Esta fase da observação a olho nu é muito importante para estarmos preparado para passar a uma fase onde são utilizados os binóculos ou o telescópio, caso pretendemos passar a esta fase e tenhamos algum dinheiro para investir nesses instrumentos.
À medida que formos localizando constelações e conhecendo o nome de algumas estrelas, naturalmente que o interesse e o entusiasmo aumentam. Poderemos nos deleitar na observação de um belo céu cheio de estrelas que estamos a aprender a conhecer.

Se quisermos dar um passo em frente, depois de estarmos familiarizados com a observação à vista desarmada, podemos passar a utilizar uns binóculos. Através deste instrumento podemos observar o céu com mais profundidade, e pode servir de preparação para a fase em que estaremos prontos para utilizar um telescópio.
Comparado com os telescópios, os binóculos permitem um campo de visão relativamente amplo (entre 5º a 7º), permitindo ver de uma só vez a totalidade de objectos celestes de consideráveis dimensões (como o caso do enxame aberto das Plêiades) que não cabem nos campos de visão mais pequenos dos telescópios. Os binóculos, ao contrário dos telescópios, permitem utilizar os dois olhos ao mesmo tempo permitindo uma boa captação visual dos objectos celestes.
É claro que apesar de ter algumas vantagens, os binóculos também têm limitações importantes: sua pequena amplificação e a pequena abertura da objectiva. Mas mesmo assim é um auxiliar muito importante. De referir ainda que a utilização de binóculos deverá ser feita preferencialmente com recurso a um tripé para dar estabilidade, evitando assim os tremores das nossas mãos que tanto prejudicam a observação.
Os binóculos 10x50 e 7x50 são muito utilizados na observação. O que significam esses números? Quando falamos de uns binóculos 10x50 significa que esses binóculos têm uma amplificação de 10 vezes e a sua objectiva (abertura ou lente que recebe a luz) tem 50 mm de diâmetro.

telescópioDepois de nos familiarizarmos com a utilização dos binóculos, talvez venhamos a sentir o desejo de passar a utilizar um telescópio. Existem muitos tipos diferentes de telescópios e ao adquirirmos um, temos que o fazer de forma conscienciosa.
Existem algumas armadilhas que temos que evitar cair. Uma delas é a publicidade enganosa. É frequente aparecer publicidade a determinados telescópios dizendo que eles tem uma capacidade de amplificação maior do que aquilo que é razoável. Porém, quanto maior for a amplificação de um telescópio menor será a nitidez da imagem, sendo que esta depende e muito da sua abertura ou objectiva (que pode ser lente ou espelho, depende do tipo de telescópio). Vamos dar um exemplo: imaginemos que alguém diz que um telescópio com uma objectiva de 60 mm de diâmetro amplifica até 500x. Não devemos acreditar nisso, pois apesar de teoricamente podermos ter uma amplificação de 500x num telescópio de 60 mm, os objectos celestes vão aparecer praticamente imperceptíveis. Para conseguirmos visualizar imagens com um mínimo de qualidade, a amplificação não deverá de ultrapassar o dobro do tamanho da objectiva em mm; no caso de um telescópio de 60 mm, a amplificação não deverá de ultrapassar as 120x.
Um telescópio “decente” também deverá de nos dar a possibilidade de trocarmos de ocular (pequena lente através da qual nós vemos o objecto celeste). É a ocular que vai determinar a amplificação. Ao adquirimos um telescópio é muito importante termos pelo menos duas ou três oculares para obtermos amplificações diferentes.

Vamos agora fazer um pequeno resumo dos tipos de telescópio para amadores que estão disponíveis: telescópios refractores, reflectores e catadióptricos.
Os telescópios refractores, conhecidos também por lunetas, possuem uma lente (ou várias) como objectiva. Possuem também um tubo longo, dentro do qual passa a luz captada pela objectiva e forma-se a imagem na ocular.
Os telescópios reflectores possuem um espelho como objectiva, situada dentro do tubo na sua extremidade inferior, enquanto a ocular fica no tubo próximo do local onde a luz entra no telescópio.
Os telescópios catadióptricos são telescópios compostos por lentes e por espelhos.

Este assunto não se esgota neste artigo, longe disso. Muitas coisas ficaram por dizer, pois este assunto é bastante vasto. Mas aqui ficam algumas ideias gerais e algumas dicas para quem quer se iniciar nas observações astronómicas.